Cada ser humano, uma história: aprendendo a arte de perdoar
Autoconhecimento Seleção do Editor

Cada ser humano, uma história: aprendendo a arte de perdoar

Quando nos relacionamos com qualquer pessoa, não estamos lidando com um simples indivíduo, mas com uma soma de vários componentes, circunstâncias atuais, dores e cicatrizes do passado, perdas, ganhos e centenas de outros fatores. E é do resultado dessa equação que nasce o sujeito, carregando consigo uma longa e complexa história de vida.

O universo humano é tão fascinante e amplo, que seria insensatez considerar as pessoas tendo apenas o presente como fundamento. Se de acordo com a física quântica passado, presente e futuro acontecem simultaneamente, seria útil se aplicássemos este conceito também às nossas relações humanas. O que quero dizer é que quando nos relacionamos com qualquer pessoa, não estamos lidando com um simples indivíduo, mas com uma soma de vários componentes, circunstâncias atuais, dores e cicatrizes do passado, perdas, ganhos e centenas de outros fatores. E é do resultado dessa equação que nasce o sujeito, carregando consigo uma longa e complexa história de vida.

Durante nossa jornada mudamos frequentemente. Quando crianças, desenvolvemos nossos próprios gostos de acordo com os estímulos externos provocados pelo convívio com nossa família. Desejos que vão se misturando a outros conforme passamos da infância para a adolescência ao ampliarmos nosso círculo de relacionamentos. E o que experimentamos na juventude se mistura às responsabilidades impostas pela vida adulta. E não para por aí, pois as mudanças não cessam na fase adulta. Quando achamos que finalmente nos conhecemos, chega o primeiro filho e de repente tudo muda de novo. E seguimos assim, como dizia Raul: uma metamorfose ambulante.

Cada ser humano, uma história: aprendendo a arte de perdoar

Quando conheço alguém, sempre penso em como deve ter sido sua história. Penso sobre o que o levou a ser quem é hoje, e o que faz hoje que o tornará outra pessoa no futuro. Quando cultivo essa visão integral sobre o outro, torno-me mais atencioso, paciente e tolerante. Se sou ofendido de alguma forma, ao invés de ceder à provocação, prefiro refletir sobre o que essa pessoa passou na vida para ter formado a personalidade que tem hoje. Lógico que nem sempre obtenho respostas, mas isso me ajuda a amar e a entender o meu próximo. Como dizia Brennan Manning: “A compaixão sincera, que gera o perdão, amadurece quando descobrimos onde o inimigo chora.” Seguir este princípio ajuda a neutralizar o meu ego ofendido e a enxergar o ser humano em sua totalidade, considerando de onde vieram todos os “pedaços” que o compõe.

Eu sei que soa um tanto utópico, mas, e se não víssemos mais uns aos outros como culpados, e a partir de hoje enxergássemos além da culpa, da ofensa e da maldade? Como se cavássemos até chegar à semente onde tudo começou, eu sugiro a você que, sempre ao se relacionar com um “inimigo”, abra seu olhar para enxergar o ser complexo e único que está à sua frente.

Reinventamo-nos a cada instante, todos os dias. Há quem se reinvente, e há quem seja reinventado pelas circunstâncias da vida. De uma forma ou de outra, todos mudam. Não somos estáticos. Como seres humanos, erramos de várias formas. Por isso não faz nenhum sentido condenarmos os erros alheios e declararmos guerra a quem nos fez mal. O perdão é, e sempre será o melhor caminho para uma vida plena. Afinal de contas, não há ninguém nesse mundo que não precise ser perdoado. Então, mesmo que não peçam, distribua perdão, pois chegará o dia em que você desejará que ele retorne à você. E acredite, esse dia vai chegar.

Tudo Inverso

Gostou? Compartilhe! Obrigado 🙂

Leia também:

Sobre o autor/a autora

João Carlos
João CarlosTudo Inverso

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.

Escreva um comentário

Clique aqui para postar um comentário

Curta Caminhos no Facebook

292