Início Comportamento Conheça seu limite: as consequências do consumo excessivo de álcool

Conheça seu limite: as consequências do consumo excessivo de álcool

Este artigo aborda os riscos ligados ao consumo abusivo de álcool, o mal sofrido pelo corpo e pela mente quando se consome muito álcool por muito tempo e alerta sobre os primeiros sinais de dependência.

O álcool: a droga nossa de cada dia

O álcool: a droga nossa de cada dia

O álcool é a droga mais consumida e mais aceita em nossa sociedade, faz parte da vida de muita gente e irriga as festas e eventos de hoje em dia.

Nenhuma outra droga pode ser consumida assim tão abertamente e com tanta aceitação. Enquanto houve uma  tomada de consciência sobre o mal causado pelo fumo, com muitas campanhas, muita informação sobre o assunto e até mesmo uma certa hostilização dos fumantes na sociedade, ainda nos recusamos a falar abertamente e mais honestamente sobre os problemas que o consumo de álcool também pode causar.

O álcool é normalmente a primeira droga consumida por adolescentes!

Os efeitos negativos do álcool são muito subestimados e o consumo excessivo pode fazer mal à saúde física, psíquica e social e pode se tornar um vício. A transição entre consumo, abuso e dependência é lenta e a pessoa se vicia aos poucos, sem que perceba que seu consumo de álcool já se tornou um problema e que é necessário ter mais cuidado, moderar no consumo ou mesmo buscar ajuda externa quando já se perdeu o controle.

Cada brasileiro bebe, em média, quase 9 litros de álcool por ano (considerando puramente o álcool, sem outras substâncias contidas nas bebidas). A média mundial é de 6,4 litros.

O Brasil ocupa a 49.ª posição do ranking entre os 193 países avaliados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). E o consumo de álcool no país tem aumentado continuamente. Segundo a OMS, o consumo no Brasil subiu 43,5% nos últimos dez anos.

É  importante conhecer o próprio limite e controlar o consumo

O limite de consumo de álcool varia de pessoa para pessoa, mas, em geral, recomenda-se um consumo máximo diário de um copo (aprox. 250 ml) de bebida alcoólica para uma mulher adulta e dois copos para um homem adulto. Recomenda-se também não consumir álcool em pelo menos dois dias por semana.

Quando não se respeita o limite, o consumo é considerado abusivo e os efeitos do álcool podem ser bastante sérios para o cérebro e para quase todos os demais órgãos do corpo humano.

O consumo de álcool em excesso, seja ele usual ou ocasional, é sempre prejudicial, independentemente de haver dependência ou não. Não é preciso ser considerado alcoólatra para ser vítima dos efeitos do álcool!

alcoolismo

Perigos do consumo excessivo de álcool

Problemas físicos

  • O álcool tem efeito negativo sobre várias partes do corpo humano. Em primeira linha, quem sofre é o fígado, que é responsável pela eliminação do álcool no corpo e que é especialmente danificado pelo consumo excessivo. Essa sobrecarga do fígado pode resultar em cirrose hepática, gordura no fígado (esteatose hepática), hepatite ou mesmo câncer. O fígado de mulheres tem mais dificuldade de eliminar o álcool que o fígado de homens, o que torna os riscos para o sexo feminino ainda maiores.
  • O cérebro também é muito afetado pelo alto consumo de álcool. Cada vez que alguém se embriaga, morrem milhoes de células cerebrais. O consumo excessivo por longo tempo reduz primeiro a capacidade de memória e de concentração. Mais tarde, há perigo de perda da capacidade de raciocínio e redução da inteligência. Um abuso constante no consumo de álcool pode levar a degradação total das faculdades mentais.
  • O consumo abusivo de álcool pode aumentar o risco de diversos tipos de câncer, principalmente do fígado, da boca, da garganta, do esôfago, do intestino e da mama.
  • O álcool aumenta a probabilidade de problemas cardíacos e pressão alta.
  • O álcool é uma das principais causas de inflamações no pâncreas (pancreatite). O pâncreas é o órgão responsável pela produção da insulina. Essa inflamação destrói o tecido pancreático e, assim, também as células que produzem insulina, podendo causar diabetes.
  •  O consumo abusivo de álcool pode  provocar uma inflamação da mucosa do estômago (gastrite).
  • O álcool reduz a potência sexual masculina (disfunção erétil), causa ejaculação precoce, diminui o prazer sexual em homens e mulheres (redução da libido) e prejudica a fertilidade.
  • O consumo de álcool faz engordar. O álcool apresenta um alto valor energético e calórico, já que é resultado de um processo decorrente da fermentação de alimentos que contêm açúcar. Por a bebida alcoólica conter outros componentes tóxicos, o organismo prioriza seu metabolismo (transformação), o que favorece o estoque de gorduras, que se depositam preferencialmente na área abdominal. O álcool é apontado também como estimulador de apetite.
  • O abuso no consumo do álcool provoca problemas neuromusculares: cãibras, perda de força muscular, dormência, distúrbios de coordenação.
  • O consumo de álcool durante a gravidez pode resultar em complicações para a saúde da criança.

Transtornos psíquicos

  • O consumo constante de álcool altera a personalidade, causando irritação, inquietação, ciúmes exagerados, depressão, fobias, déficit de atenção, humor instável, comportamento desadequado, psicoses, demência, delírio…  São diversos os transtornos psíquicos comuns em pessoas que consomem álcool em excesso. Esses transtornos são mais frequentes em homens que em mulheres.

Problemas sociais

  • No trabalho, o consumo de bebidas alcoólicas pode diminuir a produtividade, prejudicar a assiduidade e provocar erros e acidentes sérios durante o desempenho da atividade profissional, podendo levar ao desemprego.
  • Álcool e pobreza: o consumo excessivo de álcool pode ter tembém consequências econômicas. Além dos gastos com a bebida em si, há outros prejuízos econômicos, como ter que se sujeitar a trabalhos mal remunerados e gastos crescentes com saúde devido a doenças e acidentes e com problemas com a lei envolvendo o consumo de álcool.
  • Álcool e família: o consumo excessivo de álcool pode ser prejudicial também para a família. O dinheiro gasto com a bebida pode faltar no orçamento familiar, o consumo de álcool e suas demais consequências podem causar conflitos no lar, levando, na pior das hipóteses, à separação/o divórcio do casal e ao isolamento da pessoa que bebe. Filhos de alcoólatras sofrem com o vício do pai, da mãe ou ambos e com as repercussões negativas para o meio social da criança. Outro problema sério é a clara relação entre o consumo de álcool e a violência doméstica.
  • Álcool, mortes e violência: dados da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (ABEAD) indicam que, por ano, 32 mil pessoas morrem em decorrência da bebida alcoólica, sendo 11 mil por cirrose. O álcool também está por trás de 60% das mortes no trânsito e 72% dos homicídios. Além do álcool contribuir para casos de afogamentos, quedas, suicídios, entre outros.
  • Exposição social: quem consome muito álcool, termina se compordanto de forma inadequada, provocando situações que o levem até mesmo ao rídiculo, o que pode causar sentimento de vergonha, arrependimento e isolamento.
  • Principalmente mulheres embriagadas podem se tornar facilmente vítimas de abuso sexual.
Quando dizemos que uma pessoa está embriagada/bêbada, isso significa que ela sofreu uma INTOXICAÇÃO induzida por álcool!

viciado em alcool

Do prazer ao vício…

Se você tem o hábito de beber alcóol constantemente, independentemente de ser ou não viciado nessa droga, você está destruindo sua saúde aos poucos e reduzindo sua expectativa de tempo de vida.

A situação piora quando já existe uma dependência e se perde o controle sobre o consumo.

A transição do abuso para a dependência ocorre aos poucos, por um tempo longo. Uma vez viciado, a cura é difícil e demorada e requer normalmente ajuda profissional.

Por isso, é necessário ter cautela, conhecer o próprio limite e reagir antes de haver um perigo concreto de dependência!

Foto: Pressmaster/Shutterstock

Preste bem atenção nesses sinais

Eles podem indicar que você pode estar viciado ou se viciando em álcool:

  • Desejo intenso de consumir bebidas alcoólicas, muitas vezes não resistindo e consumindo álcool mesmo em momentos inadequados (já pela manhã, durante o dia, no trabalho, antes de dirigir…).
  • Você busca sempre um motivo para justificar seu consumo (“É final de semana!”, “Hoje é Natal!”, “Estou triste!”, “Estou alegre!”, “Meu time ganhou o jogo!”, etc.).
  • Você não consegue ficar um tempo  (1 semana ou mais) sem beber.
  • Você já percebeu que está bebendo muito e que isso não lhe faz bem e já resolveu várias vezes parar ou pelo menos reduzir o consumo, sem sucesso, voltando sempre novamente a consumir mais.
  • Você consome álcool e se embriaga regularmente, como, por exemplo, em todos os finais de semana, “por rotina”.
  • Aumento do tempo em que você se ocupa para conseguir, consumir ou recuperar-se dos efeitos do álcool.
  • Tolerância: você tem que aumentar constantemente a dose para atingir o efeito desejado.
  • Você fica nervoso e não dorme bem quando não bebe álcool.
  • Você fica irritado quando alguém lhe chama a atenção para seu alto consumo de álcool.
  • Você sente vergonha do seu consumo excessivo.
  • Você anda descuidando de seu trabalho e suas obrigações diárias.
  • Você não consegue relaxar e se divertir sem beber algo antes.
  • Você anda descuidando de seus interesses pessoais, abandonando progressivamente outros prazeres ou interesses devido ao consumo.
  • Abstinência: você sofre com determinados sintomas (convulsões, irritação, insônia, delírio, mau humor…)  quando o uso do álcool é interrompido ou reduzido drasticamente.
  • Seu consumo de álcool já provocou conflitos no lar ou com a vizinhança.
  • Já teve amnésia (perda de memória) depois de beber.
  • Se você leu este texto até aqui, se identificou com muitos dos sinais descritos acima, mas continua achando que não tem problemas com álcool e negando que está bebendo em excesso (a negação é uma das principais características de um vício), supondo que pode parar de beber quando quiser.

Dicas para lidar com o consumo de álcool  sem maiores consequências

  • Conheça seu limite e pare antes de se embriagar!
  • Entenda que, ao beber álcool, você está consumindo uma droga que pode viciar e danificar a saúde e beba sempre com moderação.
  • Não subestime o perigo disfarçado em bebidas alcoólicas doces (com frutas, açúcar/xarope), que encobrem o gosto do álcool, mas que embriagam e prejudicam do mesmo jeito. Além disso, a adição de frutas, açúcar ou xaropes não é nada boa para o seu intestino, pois, além de todas as calorias vazias do álcool, ele recebe também um monte de calorias do açúcar.
  • Observe bem o próprio consumo e, se constatar que está bebendo muito, tente reduzir ou parar, buscando ajuda, caso perceba que não consegue sozinho.
  • Não beba para agradar outras pessoas ou por causa de pressão de grupos sociais. Cuidado com lugares, pessoas e situações onde você sabe que podem lhe incentivar a beber mais que o desejado.
  • Tente se divertir de vez em quando sem tomar álcool para que você nunca se esqueça de que isso também é possível.
  • Evite consumir álcool de barriga vazia. Coma sempre algo que realmente encha a barriga, antes de beber.
  • Ao consumir álcool, beba também muita água (um copo de água para cada copo de bebida alcoólica).
  • Quando alguém lhe criticar por causa de seu consumo de álcool, não fique ofendido. Aproveite para avaliar se seu consumo realmente não estaria excessivo.
  • Tenha cuidado especial se houver casos de alcoolismo na família, já que essa enfermidade também tem um componente genético.
  • Tenha cuidado com a qualidade do que ingere. Bebidas alcoólicas em si já podem fazer mal à saúde. Bebidas alcoólicas de má qualidade são ainda mais perigosas.
  • Nem todo mundo se dá bem com todos os tipos de bebida. Experimente antes com cuidado para descobrir quais as bebidas que lhe afetam mais ou menos.
  • Não participe de qualquer tipo de competição de bebidas alcoólicas com seus colegas de trabalho, amigos ou parentes, pois esse tipo de competição só tem perdedores.
  • Use sua cabeça, vá devagar, beba com moderação e se divirta sem passar de seu limite.
  • Busque ajuda se perceber que tem um problema de consumo abusivo de álcool.

Conheça seu limite: as consequências do consumo excessivo de álcool

Onde achar ajuda em caso de dependência do álcool

O alcoolismo é uma doença crônica perigosa, que precisa de cuidados pelo resto da vida. A pessoa afetada normalmente não se encontra em condições de resolver o problema sozinha e precisa de ajuda externa.

Em primeiro lugar, pare de mentir para você mesmo e para as pessoas à sua volta. Converse com sua família, com seu parceiro ou parceira e com seus amigos mais íntimos sobre seu problema.

Depois, procure ajuda médica. Uma psicoterapia também pode ser uma grande ajuda.

Ajuda você pode encontrar também junto aos Alcoólicos Anônimos (www.aa.org.br), um grupo de ajuda mútua que é referência no apoio ao alcoólatra que quer parar de beber.

Os Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS – AD) são unidades de saúde feitas para atender gratuitamente quem precisa tratar o alcoolismo – Mais informações aqui.

Algumas universidades públicas e privadas possuem ambulatório com atendimento médico e/ou psicológico focado na recuperação dos alcoólatras.

Quando o alcoólatra deseja fazer tratamento em consultório ou ser internado e não consegue atendimento gratuito, ele pode recorrer à Justiça. Nesse caso, é preciso buscar o Ministério Público e levar toda a documentação de que precisa de tratamento, informando que não conseguiu uma vaga gratuita.

Consuma álcool com moderação para que o álcool não lhe consuma!

Fontes: Ministério da Saúde, Organização Mundial de Saúde (OMS), site alcoolismo.com.br, Revista Brasileira de Psiquiatria, BZgA (Alemanha), site do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, Classificação Internacional de Doenças (CID 10).


 

Comentários via Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Conecte-se!

Siga a página de Caminhos no Facebook e acompanhe as publicações do site.

Comentários via Facebook