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Sobre a depressão – Um depoimento real

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Por Jane Caetano

Bah, gente! Fico pasma com postagens de quem ignora completamente um assunto tão sério. Criaturas completamente sem noção, com “conselhos” do tipo: apreciara natureza, dar graças ao céu por tudo que tem, apegar-se à religião, tomar chazinho disso e daquilo, “ser forte”…

Em outubro de 2017, ouvi, mais morta do que viva, atirada numa maca, fazendo soro (fiquei tão fraca que desidratei) esta pérola de conselho para sair da crise depressiva: duas maçãs verdes por dia e aprender a fazer crochê!

Por favor! É como dizer a um hipertenso que não precisa se preocupar e que quando apressão estiver alterada, faça uma corrida. Ou, para um diabético, que, quando as taxas glicêmicas estiverem alteradas, coma bastante doce!

Depressão é uma doença. E bota doença nisso! A vida perdea cor, o sabor, a graça…

A alma adoece, nada tem sentido, é difícil se alimentar: a comida não tem gosto, nem água a gente consegue beber no auge de uma crise.

Falta força física, levantar da cama é um gesto heroico, tudo é sombrio. O simples ato de abrir os olhos de manhã é um sofrimento, é como estar morta em vida.

E aí vem gente aqui postar que foi na igreja e se curou?! “Pelamor”, ter fé é ótimo. E necessário.  Eu tenho. Mas a fé, somente, nunca curou e nem vai curar doença nenhuma. Fosse verdade, padres não passariam pelo inferno. E eles passaram. E, como eu, não esconderam a dor e o caminho da superação.

Sempre tem uma figura sugerindo que o deprimido “se ocupe”. Mas, como assim, se a gente sequer consegue coordenar os pensamentos? Como se ocupar,  se até caminhar do quarto à sala exige um esforço quase descomunal?

Sobre a depressão - Um depoimento real

Então, chegue com leveza para próximo de um deprimido, não fale alto, não “ordene” que ele reaja, respeite a dor de quem se enterra na cama, tapado até a cabeça, pois a pessoa está num inferno particular, num limbo dedor e sofrimento. Pegue leve.

Depressão pode matar.

Depressão precisa ser tratada! Com auxílio de terapia e MEDICAÇÃO adequada a cada organismo.

Um deprimido precisa de carinho, respeito pelas suas lágrimas. Não cobre dele peloseu silêncio: ele não consegue dimensionar a dor, a angústia e o sofrimento.

E tem mais: ficar triste uma semana não significa estar deprimido. Existe uma porção de sintomas, todos extremamente doloridos, todos!

É preciso mais seriedade nas postagens. E eu não acredito (e nem desejo) que esse pessoal que sugere verdadeiras bobagens tenha sentido – alguma vez que seja – a dor de uma crise depressiva.

Mas, devidamente tratada, e uma vez encontrada a medicação certa para seu organismo, devagarinho, a crise passa. O carinho do companheiro, a força que se recebe dos familiares, o acompanhamento de um psiquiatra (somente ele pode receitar o antidepressivo adequado a cada organismo) ou de um psicólogo.

Com a ajuda certa, um dia a crise de depressão passa!

Então, um dia a gente não tem mais medo de abrir os olhos quando acorda. Quase que nãoacreditando, percebemos que, tudo bem se o telefone tocar, tudo bem se for umamigo, e, quem sabe, comer alguma coisa, porque os alimentos começam a tersabor e a comida não tem mais gosto de isopor como na crise, descobrimos que osol continua lá fora, o cheirinho de vida no ar nos convida pra um chimarrão nopátio e o abraço apertado de quem nos ama e segurou toda a barra junto) só confirma que sim, a crise foi embora! E que estamos de volta. Com as asas ainda bastante machucadas, mas prontos para novos voos e novos desafios.

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