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De volta para casa

De volta para casa
Um relato de uma brasileira sobre a decisão de mudança de país e de vida

Esse foi o sentimento quando, literalmente, ”saí pela porta de entrada” do aeroporto de Londres, no dia 29 de janeiro.

Esse “retorno pra casa” se dá pelo fato de ter morado fora do Brasil – na Irlanda – por três anos. Na verdade foram três anos muito bem vividos, mas com a saudade dos familiares falando mais forte, decidi retornar ao Brasil, onde até então, sempre morei. Exatos quatro anos depois, tentando encontrar o sentimento completo de estar ali, apesar de nunca ter encontrado.

Nesse período, comecei a fazer uma jornada de autoconhecimento. Aprendi muito sobre energia – aquilo que está conectado, o sentimento no menor detalhe. E, a cada dia que passava, aprendia também o dom da paciência. No final de 2014, decidi: faria as malas e embarcaria novamente para o “velho mundo”. Foi também neste momento que minha conselheira “puxou minhas orelhas” e me convenceu de que ainda não havia chegado a hora certa. Como assim, se eu já havia renovado meu passaporte? Seria apenas uma fuga em meio a um caos de sentimentos. E ela estava certa.

Foi então que me esqueci daquela história doida. Pelo menos até o ano seguinte. Continuei na minha rotina, fiz algumas viagens pelo Brasil e conheci amigas que me acompanharam em todas elas. Mas, no fundo, sempre a insatisfação, a saudade. As coisas foram acontecendo e tomando outra forma; parecia que era eu indo para o fim do poço mais uma vez. Mas não! Hoje entendo que tudo, estava indo para meu devido lugar.

 

A relação de paciência e conexão é muito grande, pois esperar o momento certo exige muito autocontrole. E digo isso porque, quando se menos espera, aquilo que desejamos e onde focamos a energia acontece. E foi assim que retornei “para minha outra casa”.

Era semana de Natal e meu amigo que há anos mora em Londres ligou: ”Carina, deixa de ser boba, vem pra cá, te ajudo até tu te organizares!”. Sem pensar duas vezes, sem colocar aquela ideia louca no lugar, pesquisei a passagem, fiz a reserva e só precisava esperar a segunda-feira chegar para ir até o banco pagar e concretizar a partida. Agi no impulso, no calor da hora, mas com a certeza que estava tudo certo. A ficha só caiu quando eu estava no caixa entregando a fatura e o dinheiro para finalizar o pagamento, o que ficou em segredo por muito tempo. Na verdade esse “muito tempo” foi em relação ao tempo que eu ainda ficaria no Brasil. Preferi curtir essa decisão – era um momento meu! Uma nova etapa que iniciaria. Não queria despedidas… Confesso que o mais difícil foi falar para a família, pois foi nesse momento que realmente notei que a coisa ficou séria. Dali para frente foram duas semanas para eu trocar o chinelo havaianas por meias térmicas.

No dia da partida, estavam meu pai, minha mãe e minha irmã mais nova no aeroporto. Clima pesado, poucas palavras. Minha irmã pediu pra que fizéssemos um lanche juntas e assim fizemos. A hora passava, mas ao mesmo tempo os ponteiros pareciam estar parados. Era hora do tchau e dos abraços apertados que ficaram na lembrança. Jamais vou me esquecer do abraço apertado da minha mãe: que foi único, diferente de todos os outros que ela já havia me dado.

Atravessar o portão de embarque sempre doeu, pelo menos quando as despedidas são sem data de reencontro. Mas não demorou muito e logo já entrei no clima das novidades. Ao meu lado, no avião, dois rapazes finlandeses que estavam trabalhando no Brasil. Já comecei a praticar os ouvidos trocando o idioma. E o mais engraçado: parecia que viajávamos juntos, pois nos dois voos, estávamos na mesma fileira de assentos. Eles foram os primeiros que eu conheci nesta jornada.

Finalmente cheguei ao destino final! Esperei ansiosamente para passar pela imigração, e finalmente, pegar as malas. Quando atravessei a porta de desembarque, o sentimento de alívio logo chegou. Reencontrei meu amigo no meio de muitas pessoas que ali faziam o mesmo, à espera de alguém que chegasse com um caderno em branco, para encher de histórias de vida para contar.

Sentindo-me em casa! Em Londres! Uma cidade multinacional, multicultural, onde tudo acontece todos os dias, o tempo todo. Onde as oportunidades estão por todos os lados, onde me sinto por inteira.

 

 

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Sobre o autor/a autora

Carina Nck
Carina Nck“Tudo esta conectado”
Carina Winck, cursa a faculdade da vida, exploradora de bons momentos, depois de cobranças da sociedade, aprendendo a dizer sim pra vida, arriscando todos os dias. Incentivadora do auto conhecimento.
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