Plástico no mar - E se os peixes desaparecerem para sempre?
Sociedade

Plástico no mar – E se os peixes desaparecerem para sempre?

Imagine só um mundo sem peixes. Seria um mundo sem graça, não? Estamos correndo esse perigo, pois estamos sufocando nossos peixes com tanto plástico no mar.

Peixes sempre fizeram parte da minha vida, principalmente na minha infância, pois morava bem perto do mar. Para mim, um mundo sem peixes não seria um mundo que prestaria. O pior é que estamos correndo esse perigo, pois estamos sufocando nossos peixes com tanto plástico no mar.

Sei que muita gente gosta de comer peixe e acredita que seria saudável. E sei que tem gente que é contra, pois acredita que não devemos comer bicho de jeito nenhum.

Bom, eu só acho que o problema não está aí. Não é questão de comer bicho ou não e acho utópico crer que todos os seres humanos deixarão um dia de comer carne. E, para mim, comer carne não é antiético ou imoral. Antiético ou imoral é a forma como tratamos os animais, aliás, como lidamos com toda a natureza e o que estamos fazendo com nosso planeta.

O problema é que perdemos qualquer respeito pela criação e por tudo que nos cerca, atestando um tremendo egoísmo e uma estupidez sem  tamanho, já que somente seres estúpidos são capazes de destruir dessa maneira o próprio meio onde vive.

A coisa está tão feia que nem podemos dizer mais dizer que comer peixe seria saudável. Recordo-me de minha médica falando sobre isso, dizendo que comer peixe hoje em dia seria doidice, já que comer plástico nunca fez bem para ninguém.

Sim, comer plástico. Os oceanos estão cheios de plástico. Esse plástico demora uma eternidade para se decompor e, quando se decompõe, os peixes engolem suas nanopartículas, que vão parar em nossos estômagos, junto com o peixe. Minha médica tem toda razão: estamos realmente comendo plástico!

Plástico no mar
Lixo plástico na praia: precisamos acabar com isso!

O problema do mar asfixiando em plástico é sério, ele está aí, todo mundo sabe que ele existe, sabemos também que temos a obrigação de reagir, de fazer alguma coisa, pelos peixes, pela natureza, por nós mesmos. Sabemos, mas não fazemos nada, ou muito pouco.

Sei que é difícil saber por onde começar. E não é fácil saber o que cada um de nós pode fazer diante de tantas ameaças, tantas catástrofes, tantas mudanças e tantos problemas que enfrentamos no mundo. Mas o que, com certeza, não ajuda em nada é ficar paralisado, passivo, indiferente ou mesmo sarcástico, fugindo de discussões sobre o assunto ou se perdendo em discussões sem fim, mas sem realmente fazer aquilo que cada um de nós pode e deve fazer: consumir menos plástico, usar esse material com uma maior responsabilidade e cuidar para ele não seja jogado na natureza e termine entupindo literalmente lagos, rios e oceanos.

Todos nós precisamos tomar essa atitude e reduzir drasticamente o tanto de sacolas plásticas e embalagens de tudo quanto é tipo, tendo consciência de que esse lixo pode terminar virando ração dos peixes que comemos.

Plástico no mar
Nosso lixo plástico está indo parar na natureza

É preciso perceber que estamos serrando o galho no qual estamos sentados, estamos cavalgando para o abismo, correndo com a testa rumo à parede, destruindo o mundo de uma forma vergonhosa, acabando com nosso próprio habitat.

Vejo muita negligência por parte de governantes, que não tomam as medidas a serem tomadas para reduzir o consumo de plástico. E vejo negligência também da indústria, que continua buscando somente lucro rápido e apostando em uma tecnologia ultrapassada e venenosa, apesar de existirem boas alternativas para o plástico não degradável. Também o comércio varejista tem grande responsabilidade, pois insiste em embalar tudo em sacos e sacolas descartáveis, em pratos e vasilhas de isopor, ao invés de incentivar o uso de ecobags, por exemplo.

Mas de nada adianta criticar os governantes, a indústria e o comércio se não mudarmos nossa mentalidade, se não mudarmos nosso próprio consumo. Fato é que nós gostamos de plástico e usamos esse material sem qualquer acanhamento.

Eu mesmo sou de uma geração que cresceu se plastificando cada ano mais, e as gerações mais jovens nem sequer conhecem um mundo sem plástico em praticamente tudo. Nós simplesmente não nos preocupamos com as consequências desse consumo extremo de um produto que, temos que admitir, é bastante prático e barato, o que nos seduz a usá-lo mais e mais.

Bom, nem sempre é barato. Muitas vezes compramos um pedaço de plástico com um logotipo famoso pintado, colado ou costurado em cima e pagamos um dinheirão por ele.

Fizemos o erro de acreditar que o Estado cuidaria desses problemas, nos iludimos achando que a maior parte desse lixo seria reciclada e terminamos assistindo de camarote a asfixia do mar como se isso não nos atingisse e crendo que nossos governantes iriam resolver a coisa de alguma forma, sem perceber que essa estratégia até agora não funcionou e nunca vai funcionar, pois interesses financeiros de alguns impedem uma abertura e uma mudança da mentalidade dos que nos governam.

Plástico no mar
Precisamos realmente de uma sacola plástica nova toda vez que vamos às compras?

Há momentos na vida quando temos simplesmente que constatar que não dá mais para esperar, que não dá mais para ficar discutindo e adiando o assunto, quando fica claro que é necessário agir, de imediato, sem hesitar, sem pensar duas vezes, pois sabemos que, se não o fizermos, logo poderá ser tarde demais. E o momento atual é um desses momentos!

Gente, temos que reagir antes que nossos peixes desapareçam, antes de muitas espécies (não somente de peixes!) sumam de forma irreversível. Estamos sufocando o mar com nosso lixo plástico e está mais que na hora de pararmos com isso.

Como se não bastasse o tanto de plástico que jogamos no mar, o problema se agrava porque nosso consumo atual de peixes nunca foi mais alto, a pesca industrial com suas redes de arrasto estão praticamente raspando o fundo do mar e acelerando a catástrofe que está por vir, sem dizer que ela está destruindo a existência de pequenos pescadores.

Plástico no mar
Mutirão para limpar a praia
Plástico no mar
Mutirão para limpar a praia

Somos nós, nós todos, que temos que agir, agora, imediatamente! E todos nós podemos fazer algo. Vi na televisão pessoas em Israel fazendo esporte, correndo e, ao mesmo tempo, catando o lixo largado na praia. Isso é um excelente exemplo de como todos nós podemos dar nossa contribuição. Se bem que a maior contribuição que todos nós podemos dar é mesmo reduzir drasticamente o consumo de plástico e buscar alternativas.

Plástico no mar
O uso de ecobags pode reduzir muito o lixo plástico

Que tal largar aquele monte de sacolinhas no supermercado e usar para as compras ecobags, cestos e sacolas que possam ser usadas várias vezes, ao invés de só produzir mais e mais lixo?

Que tal dar preferência a produtos naturais, degradáveis ou recicláveis ou produtos que durem muito e possam ser reutilizados muitas vezes?

Que tal conversar com seus filhos, sobrinhos, alunos, vizinhos, amigos, parentes e convidá-los a mudar também o próprio comportamento, mobilizando e unindo nossas forças para acabar ou pelo menos reduzir um problema que ainda vai terminar sufocando não somente os peixes, mas também nós mesmos?

Plástico no mar
Seja um exemplo. Use ecobags

Todos nós podemos fazer algo, todos nós podemos dar uma contribuição. E não existe contribuição pequena demais, pois o momento é crítico e toda ajuda é bem-vinda, por menor que seja. Portanto, não espere por ninguém e faça sua parte, seja exemplo de consciência ecológica que isso já ajudará.

O importante é que ocorra urgentemente uma mudança de consciência, em mim, em você, em todos nós, pois essa mudança é a única saída que nos resta. Ou mudamos nossa forma de pensar e agir, ou não vai sobrar nada. Talvez nem sequer um único peixe para mostrarmos a nossos netos como era linda e rica a vida no mar 🙁

Plástico no mar

Gustl Rosenkranz

Blogueiro residente em Berlim. Escrevo sem luvas porque tocar é importante. Minha formação, eu diria, foram duas mulheres. A primeira foi minha mãe, que acreditou muito em mim e me ensinou a me virar neste mundo, dando-me exemplo, lutando, correndo atrás, mas sem nunca querer nada que não fosse fruto do próprio trabalho, não tendo muito, mas sempre partilhando o que tinha, sem nunca reclamar e sempre repetindo que eu usasse minha cabeça para aquilo que ela melhor sabe fazer: pensar. A outra foi minha avó, com quem tive muitas conversas longas e que me ensinou muito sobre a vida e sobre o que ela via por trás das coisas, e que também dizia que eu realmente deveria usar a cabeça para pensar, mas sem nunca deixar de usar o coração para sentir. Essas duas mulheres sensacionais foram minha formação básica. O que veio depois, foi só complemento. www.gustl-rosenkranz.de

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Gustl RosenkranzBlogueiro

Blogueiro. “Escrevo sem luvas porque tocar é importante”.

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