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Cotidiano

Egos inflados: Cheios de si e vazios de gente

Egos inflados: Cheios de si e vazios de gente
Egocentrismo, aquele velho ego inflado, que se acha o dono do pedaço e não está nem aí para ninguém, além de si próprio, é claro.

De repente, um sujeito dirigindo com o celular na mão, o que já é errado, para na esquina de um cruzamento para poder ver melhor a sua conversa no “Whats” ou uma foto que achou legal no “Insta”, e demora cerca de um ou dois minutos, tempo suficiente para formar um congestionamento de carros, com pessoas esperando a benevolência do motorista hi-tech para poderem adentrar na avenida e chegarem aos seus rumos.

Bom, o que poderia ser uma descrição fictícia, é real e tenho certeza que compartilhada por todos.

O que leva um indivíduo a ter uma atitude como essa? Sem dúvida, poderemos encontrar a resposta no egocentrismo, aquele velho ego inflado, que se acha o dono do pedaço e não está nem aí para ninguém, além de si próprio, é claro.

Pessoas egocêntricas acreditam que tudo gira em seus entornos, portanto, pode-se fazer de tudo, inclusive, prejudicar outras pessoas com o comportamento praticado, afinal, todos estão ali para servir “o reizinho”.

Há nesses indivíduos total incapacidade de perceber-se como parte todo e de que não vivem em um conto de fadas onde todos estão ali para servi-los. Não existe senso de comunidade, em que o sujeito compreende que nas suas ações há relações de causa e efeito que atingem a todos.

Dessa maneira, não importa se posso causar um acidente por agir de forma imprudente ou se estou impedindo o fluxo normal do trânsito, com pessoas que, com certeza, possuem afazeres mais urgentes que ficar vendo alguma barafunda no celular.

Os exemplos, no entanto, não se esgotam com o dado e, como disse, todos já vivenciaram situações em que o ego inflado se faz presente.

Esse tipo de comportamento se acentua em uma sociedade baseada no individualismo, em que cada um só enxerga o seu próprio umbigo e é incapaz de perceber o outro como um sujeito autônomo. É como se os outros fossem meras extensões dos nossos desejos, planetas girando em torno do sol, instrumentos guiados ao nosso bel-prazer.

O egocêntrico jamais percebe que errou, uma vez que sequer se reconhece como possuidor de defeitos e imperfeições. E como se não bastasse, ainda ficam putos quando alguém surge com uma agulha e estoura a sua bolhinha. É uma afronta impedir os desmandos do césar. Todos devem aceitar de bom grado ser pisados e utilizados como fantoches, a fim de manter em constância a realização de todas as vontades de pessoas cheias delas.

O que falta para o egocêntrico é entender que ele não é o centro das atenções, que nem tudo diz respeito a ele, tampouco, deve subjugar outras pessoas, a fim de atender aos seus apetites.

É preciso saber que o outro também merece ser respeitado e cuidado em sua singularidade e humanidade, que ao agir, outras pessoas também serão afetadas, de forma que é imprescindível pensar naqueles que estão ao nosso redor ao tomar uma atitude. Sem, entretanto, achar que elas estão exercendo algum tipo de reverência a nós e que, por conseguinte, podemos fazer de tudo sem se importar com as consequências.

É preciso, sobretudo, olhar o outro, enxerga-lo, vê-lo e ser preenchido por ele, pois só assim percebemos que o outro também sangra e que egos inflados, embora cheios de si, são vazios de gente.

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Sobre o autor/a autora

Erick Morais
Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.


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