Estavam dispostos a morrer de paixão
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Estavam dispostos a morrer de paixão

Por Francine Camargo

Era um modo de olhar que arruinava todas as crenças; um toque ao rosto que adejava os copos da mesa; as pernas se tocavam sutilmente, mas solapavam as estruturas e não se podia mais ficar em pé. O jeito arguto de retirar uma mecha de cabelo do rosto dela e recolocar em seu devido lugar congelava as horas.

Ambos se reuniam em prelúdio.

Rotineiramente pediam-se com algum desespero na voz, em gradações afinadas de reconhecimento. Esqueciam-se das palavras, mas se pediam sem se doar finalmente.

Porém tinham seus meios.

Estavam dispostos a morrer de paixão, caso não perecessem antes pelo dito maldito, pelo sentido mal-acabado, do encontro falido.

Dispostos a se condensar da tocante paixão, tocavam-se com as pontas dos dedos. E em pensamento, tudo ao redor cimentava, menos o amor que lhes era fuga e fluido e não era só deles.

Então esperavam, a fim de voltarem ao começo, por fim.

Sobre o autor/a autora

Francine Camargo
Francine Camargo
Sou uma menina já crescida, com alma aérea e sonhos idosos. Ainda não aprendi a ser quem eu sou, mas trabalho nisso a cada segundo. Quando me decepciono, recrio, reinvento a mim mesma. Talvez hora ou outra eu acerte, talvez seja assim, algo assim sem certeza.

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