sábado, 6 junho 2020

“Não agrade os ingratos, nem sirva aos folgados”

Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, de servir gente folgada, de nutrir amizades duvidosas, para que possamos percorrer somente os encontros verdadeiros.
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Abrindo o baú dos traumas “esquecidos”

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Certo dia tentei lembrar-me de eventos trágicos que me acometeram durante a infância à procura de respostas para alguns problemas e comportamentos atuais. Por incrível que pareça, não foi fácil lembrar. Com exceção de uma ou outra, as imagens em minha mente iam ficando cada vez mais turvas, impossibilitando o acesso àquelas memórias.

Parece que em algum momento da minha vida eu tranquei esses traumas em um baú e joguei as chaves no mar. Mas o baú continuava lá o tempo todo, conservando aqueles traumas. Estavam trancados e “esquecidos”, mas nunca deixaram de fazer parte de mim. Era como se minha mente tivesse criado um bloqueio de segurança a fim de me proteger da dor gerada por aquelas lembranças ruins.

Talvez seja do consenso de todos que traumas devem ser esquecidos. No entanto, deve-se tomar muito cuidado com os caminhos pelos quais nossa mente cria para superar esses problemas. Ao simplesmente tentarmos “esquecer” corremos um grande risco de maquiar algo que nos fez um grande mal no intuito de livrar-nos dessas lembranças traumáticas, mas isso não significa que estamos curados.

A cada vez que maquiamos um problema em nós, mais empurramos essa “lixarada” emocional toda para dentro, até chegar ao ponto em que habitar a própria pele se torna algo insuportável, e você sequer entende o porquê.

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Como abrir esse baú e jogar todo esse lixo fora? Como se livrar desses traumas e ter uma vida plena?

Nunca vi ninguém limpar fossa e sair limpo. Da mesma forma, não há como mexer nesse baú sem sujar as mãos. O trabalho sujo deverá ser feito. Não há outro caminho e nem quem possa fazer isso por você.

É necessário estar disposto a encarar velhos sentimentos. Ver de novo aqueles rostos antigos e com isso se lembrar dos males que cada um te fez e das palavras amargas cujo amargor está encruado em sua alma até hoje.

Sabe aquela rejeição que tanto doía? Ela foi uma das primeiras a entrar no baú, e por causa dela você não consegue amar ninguém, tampouco a si mesmo.

Se for mais fundo, vai achar a palavra “burro (a)” já bem desgastada pelo tempo. Você a guardou ainda quando era uma criança. Mas ela nunca te deixou, e te tornou a pessoa mais insegura da terra.

Vai achar também a primeira vez em que se sentiu frustrado. Não por ter errado em algo. Mas por nunca ter conseguido corresponder às expectativas dos seus pais. Até que você tentava, mas seus colegas e primos sempre pareciam ser mais inteligentes e interessantes do que você. Assim, ficou em ti esse angustiante sentimento de comparação aos outros.

É tanta porcaria que guardamos dentro de nós.

Uma vez que encontramos coragem de abrir esse baú e encarar tudo de novo, temos a chance de dar a resposta devida a cada trauma. Não lute contra suas lembranças, apenas diga a elas, em tom firme, quem você realmente é. E diga o que elas realmente são: apenas lembranças mortas. E que hoje, não é mais necessário carregar tanto fardo desnecessário.

O que te define a partir de hoje é você mesmo. Exerça esse controle. Construa boas memórias cultivando bons momentos. Jamais tente esquecer o passado, será inútil. Segundo Carl Jung, “o que você resiste, persiste”. Um passado ruim não deve ser esquecido, ele deve ser superado.


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