domingo, 31 maio 2020

“Não agrade os ingratos, nem sirva aos folgados”

Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, de servir gente folgada, de nutrir amizades duvidosas, para que possamos percorrer somente os encontros verdadeiros.
Início Comportamento Em um mundo de extremos, caminho do meio é estrada deserta.

Em um mundo de extremos, caminho do meio é estrada deserta.

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Às vezes, parece que, para sobrevivermos emocionalmente, a melhor opção é nos alienarmos, mesmo que sazonalmente, de algumas realidades. Assistir TV quase sempre destrói as esperanças no ser humano, ler as manchetes dos principais jornais e revistas é alimentar e reforçar o sensacionalismo. Opinar é lançar-se à jaula dos leões.

Tudo o que soa dissonante é imediatamente rechaçado e as reações são tão díspares que fica difícil acreditar que elas são provenientes da mesma origem. Mas, existe explicação para isso: a leitura do mundo nunca acontece antes de que as informações passem pelo crivo histórico e emocional de seu leitor. A interpretação é quase sempre tendenciosa e contaminada de si mesmo e, em nossa falta de humildade, quem interpreta diferente é considerado ignorante, é aquele que não entendeu, aquele com capacidade inferior.

Quando, entretanto, não vemos a diferença como uma afronta pessoal, as situações ficam leves e até cômicas. Uma dinâmica que eu inventei inspirada em técnicas projetivas e que, por gostar dos resultados, sempre usava em grupos era assim: Uma imagem da Monalisa era projetada na parede e eu pedia para que as pessoas pensassem consigo mesmas “Quando você vê a Monalisa, você acha que ela tem cara de quê? Que tipo de sentimentos ela transmite?”.


A questão não era saber quem pintou o quadro, as curiosidades que o envolviam, se alguém já o tinha visto pessoalmente ou não. O enfoque era um olhar pessoal e emocional. Como devem ter percebido, a própria pergunta que era feita já era feita de maneira leve para deixar fluir o que quer que viesse em resposta. Não existia certo ou errado.

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Muitas vezes, pela primeira vez, as pessoas olhavam para um dos quadros mais famosos do mundo e pensavam na mulher “Monalisa” e no que ela transmitia a cada um e, como era de se esperar, eu ouvia uma infinidade de respostas para o que ela representava a cada um. Assim, a atividade acabava sendo, além de um exercício de observação, reconhecimento e respeito à diferença do olhar do outro, um grande momento lúdico e de descontração.

Do ponto de vista pessoal, meu interesse pelas pessoas costuma ser inversamente proporcional aos títulos que exaltam, as grandes verdades que apregoam e aos “amigos” que exibem. Creio que não há nada mais pobre do que alguém que precisa se valer de sua titulação para fazer uma afirmativa. Vejo com desconfiança a segurança emocional de quem usa de estratégias como essas para ornamentar seus nomes ou quer ter artistas para decorar suas fotos.

Entre os extremos, o caminho do meio tem se tornado uma estrada deserta, cena de filme de faroeste, onde rolam bolas de feno. Chego a ouvir a música de fundo.

Preocupa-me também a surdez para com as entrelinhas. As pessoas estão tão fechadas em si e em suas visões de mundo que reagem mais a si mesmas que ao outro. É um efeito espelho. E, se a pessoa olha para o outro e só vê a si mesma, dificilmente perceberá as nuanças da relação. Os detalhes da fala, dos lapsos, da postura corporal, da mudança no tom de voz – que pode ser para mais sincera declaração de amor ou para a mais sagaz ironia, e, principalmente, do momento do outro que pode, no mínimo, merecer o respeito que a vivência em sociedade determina.

Para tentar ver o outro na maior completude possível, é necessário desligar-se um pouco de si, de suas convicções. Não é preciso olhar muito para perceber que a maioria das pessoas supervaloriza as suas próprias opiniões e gostos. É necessário sair da arrogância para ler um texto que vai além de um erro de digitação ou grafia. Quem lê um texto é só enxerga o “s” onde deveria haver o “z” me lembra aquelas pessoas que olham para alguém que carrega uma deficiência e só veem um “defeito”, não um ser humano. Será que não se pode corrigir sem o véu da superioridade?

É necessário o exercício da sensibilidade para enxergar o contexto, a mensagem maior, a realidade que vai além do espelho. Por mais lindo que seja o nosso próprio reflexo, sempre haverá mais beleza e verdade em uma paisagem completa.

CONTI outra

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A autora/o autor:

Josie Conti
Josie Contihttps://www.contioutra.com/
Idealizadora e administradora do site CONTI outra. Psicóloga formada há 16 anos, teve sua trajetória profissional passando por diversas áreas de formação e atuação como educação, clínica, recursos humanos e saúde do trabalhador. Hoje, utiliza o conhecimento adquirido para seleção de pessoal e de material adequado aos sites com que trabalha. Realiza vídeos, palestras, entrevistas, tem um programa diário na rádio 94.7 FM de Socorro e escreve para diversos canais digitais. Sua empresa ainda faz a gestão de sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil. Atualmente possui mais de 10 milhões de usuários fidelizados entre seus seguidores diretos e seguidores dos sites clientes. Em 2017, foi convidada para falar sobre conteúdo de qualidade no evento “Afiliados Brasil” de São Paulo, à convite da Uol, pois o CONTI outra foi considerado um dos melhores sites de conteúdo ligados a empresa.
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