Ikigai e as ironias da vida
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Ikigai e as ironias da vida

Nem todos somos capazes de encontrar o que os japoneses chamam de Ikigai, a plenitude entre paixão, profissão, missão e vocação, contudo, o charme (ou ironia) da vida se dá no fato que nada nos impede de ser um contador que ainda ama jogar futebol ou um porteiro que toca diariamente seu violino.

Por Luccas Tartuce

Há uma fase complicada na existência de todo homem, responsável por transforma-los no que serão pelo resto de suas vidas, quando, ainda na juventude, encaram realisticamente as dificuldades de alcançar seus sonhos.

Percebemos que não cantamos, escrevemos ou dançamos tão bem quanto imaginávamos, e mesmo que este fosse o caso, percebemos também que talento por si só nunca é suficiente. Do mesmo modo, entendemos que para jogar futebol profissionalmente há de sacrificarmos todo o resto. E que a carreira policial em nada se assemelha com os filmes. Entendemos porque os pais, mesmo batendo palmas para cada um dos nossos discursos sobre astronautas, sutilmente nos aconselhavam a ter uma segunda opção. Aprendemos, finalmente, a ver o mundo como ele é.

A verdade é que existem pouquíssimas vagas para tocar na orquestra sinfônica e menos ainda para ser o presidente, a competição é desleal e, na maioria das vezes, você é o azarão. A partir daí é fácil imaginar porque tão poucos seguem seus sonhos e porque tantos enlouquecem no meio do caminho. Para nós, os simples mortais, não detentores das qualidades ou das bolas para seguir em frente, resta a adaptação. Abandonar as luvas de boxe e deixar a barriga crescer. Ser médico. Advogado. Alcoólatra. “Coaching”.

Ikigai e as ironias da vida
Ikigai, a plenitude entre paixão, profissão, missão e vocação


Nem todos somos capazes de encontrar o que os japoneses chamam de Ikigai, a plenitude entre paixão, profissão, missão e vocação, contudo, o charme (ou ironia) da vida se dá no fato que nada nos impede de ser um contador que ainda ama jogar futebol ou um porteiro que toca diariamente seu violino.

A propósito, ontem li reflexões interessantes de um escritor chamado Onaldo Pereira (inseri o link de uma de suas entrevistas no final), sobre o mesmo assunto, mas, obviamente, com muito mais elegância. Dando o exemplo de Van Gogh, que foi reconhecido só após sua morte, ele argumentava que devemos seguir nossa arte independente da aprovação alheia, em suas palavras: “não seja a nossa realização e sucesso o que acontece fora de nossas almas”.

Ikigai, a plenitude entre paixão, profissão, missão e vocação

Em resumo, paixão e sucesso profissional não necessariamente andam de mãos dadas, quando andam, maravilhas acontecem, de fato, mas não há porquê abandonarmos completamente o que nos apetece apenas por não sermos, aos olhos dos outros, os melhores do mundo, porque, no final das contas, tudo se resume em como nos sentimos ao realizar o que amamos.

Link para a entrevista com o autor Onaldo A. Pereira

 

Sobre o autor/a autora

Luccas Tartuce
Luccas TartuceAdvogado e escritor
Advogado, herói de botequim, rebelde e pervertido. Escreve sem classe ou motivo digno, como um cachorro que persegue o próprio rabo.

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