sábado, 6 junho 2020

“Não agrade os ingratos, nem sirva aos folgados”

Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, de servir gente folgada, de nutrir amizades duvidosas, para que possamos percorrer somente os encontros verdadeiros.
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Pessoas que corrigem erros gramaticais na Internet

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Ontem descobri na página de um amigo o artigo que reproduzirei abaixo. O autor, português, discorre sobre como se comportam as pessoas que passam os dias procurando erros de grafia em textos alheios numa suposta superioridade. Aqui, por exemplo, nós reconhecemos que erramos muito. O problema é que quem escreve ou faz suas colocações sobre os erros, na maioria das vezes, apresenta profundo desdém e deprezo por textos que apresentam algum tipo de erro e acabam desvalorizando todo um texto e trabalho do site. Outras vezes, polidamente a pessoa indica a falhas por duas ou três vezes antes de oferecer seus serviços profissionais em uma atitude de delicadeza claramente manipulatória. E tem os piores que são grosseiros e ainda oferecem seus serviços. Só um masoquista para contratar um tipo desses, né.

Agora, ajudar por ajudar, falando com educação e respeito e sem querer nada em troca são casos raríssimos. Seria maravilhoso que mais pessoas nos corrigissem apenas por gentileza.

Apresento o texto com o qual me identifico profundamente. E, se a carapuça se ajustar à alguém, espero que pelo menos sirva de reflexão.

Pessoas que corrigem erros gramaticais na Internet

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Por Raiden, do blog Ritual do Habitual

Não existe grupo mais irritante na Internet que o composto por aquelas pessoas que patrulham, incansavelmente, redes sociais, fóruns de discussão, blogs, etc. à procura de erros gramaticais. Estes cavaleiros da linguística, estes cruzados de Camões, pensam estar a fazer um serviço à humanidade ao rectificar palavra após palavra, sem se aperceberem que o spell check faz o seu trabalho automaticamente e que, se existe um erro gramatical, ele existe por alguma razão — mesmo que esta razão seja tão fraca como não se levar muito a sério o que se escreve.

O que torna estes nazis da gramática particularmente irritantes é o facto de terem razão. Isto faz com que o aborrecimento de quem é corrigido seja ilógico. Afinal, se formos corrigidos, devíamos até agradecer à pessoa, certo? Devíamos pedir desculpa por ter ferido as retinas de tão alta referência linguística como certamente é este estranho que emerge das profundezas da Web, com a sua caneta vermelha metafórica, e que nos risca um afiado “X”, também metafórico, no que quer que estejamos a tentar comunicar.

Mas nós não somos pessoas totalmente lógicas, pois não? Nós temos emoções, caraças! E as nossas emoções perguntam-nos: “quem é que este gajo pensa que é?”

O problema destas mentes brilhantes é que escondem as suas verdadeiras e egoístas razões atrás de um conceito que é, geralmente, defendido: a coerência gramatical.

Antes sequer de pensarmos nas tais razões, vamos só pensar noutra coisa durante um momento, está bem? Quem é que inventou a gramática? Será que foi algum iluminado, há milhares de anos atrás, que comeu uns cogumelos que não devia, teve a trip da sua vida, e viu um mundo em que ninguém se atreveria a fugir a um conjunto de regras completamente estáticas — regras essas que ele escreveria detalhadamente algures, assim que aquele coelho da Páscoa gigante parasse de olhar para ele de lado?

Claro que não! A linguagem é orgânica, é feita pelas pessoas. A linguagem foi criada como uma ferramenta, nada mais. Muitos “erros” gramaticais deram origem a novas palavras ou a palavras mais simples que usamos agora sem questão. Só com variações na norma é que qualquer evolução é possível.

A linguagem é uma das últimas coisas não institucionais que podemos usufruir, povo! Revoltemo-nos pelo nosso direito de cometer erros!

O facto de, ultimamente, ser o governo que decide como a linguagem evolui, deixa-me, portanto, aborrecido. Está-se a decidir, de uma forma artificial, como evolui uma inteira língua comum — a nossa maneira de trocar ideias mais antiga ( sim, sim, a subida do TSU também é grave).

Mas, sim, infelizmente, poucos sabem do conceito de evolução linguística. É mais fácil ir ao Google confirmar se realmente se tem razão antes de corrigir um infeliz qualquer — o que nos leva de volta às razões egoístas que referi em cima.

Caros correctores compulsivos: vocês não querem saber minimamente da manutenção da linguagem. Vocês não querem saber se eu corrijo o que escrevo ou não. Vocês sabem bem que corrigir alguém na Internet é inútil. A verdadeira razão que vos leva a corrigir os outros é a pequena sensação de controlo que ganham com isso: “Ah, sou mais inteligente que este rapaz que não conheço de lado nenhum porque ele cometeu um erro que eu consegui identificar, lol, rofl, me gusta, true story, epic win! xDxD”

A sério? Tudo isto por uma sensação vazia de superioridade? Espero que valha a pena.

É só a impressão com que fico de vocês. Claro que pode ser um mecanismo de defesa primitivo para me sentir melhor com o facto de ter cometido um erro. Quem sabe?

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A autora/o autor:

Josie Conti
Josie Contihttps://www.contioutra.com/
Idealizadora e administradora do site CONTI outra. Psicóloga formada há 16 anos, teve sua trajetória profissional passando por diversas áreas de formação e atuação como educação, clínica, recursos humanos e saúde do trabalhador. Hoje, utiliza o conhecimento adquirido para seleção de pessoal e de material adequado aos sites com que trabalha. Realiza vídeos, palestras, entrevistas, tem um programa diário na rádio 94.7 FM de Socorro e escreve para diversos canais digitais. Sua empresa ainda faz a gestão de sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil. Atualmente possui mais de 10 milhões de usuários fidelizados entre seus seguidores diretos e seguidores dos sites clientes. Em 2017, foi convidada para falar sobre conteúdo de qualidade no evento “Afiliados Brasil” de São Paulo, à convite da Uol, pois o CONTI outra foi considerado um dos melhores sites de conteúdo ligados a empresa.
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