quarta-feira, 12 agosto 2020

“Não agrade os ingratos, nem sirva aos folgados”

Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, de servir gente folgada, de nutrir amizades duvidosas, para que possamos percorrer somente os encontros verdadeiros.
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Conversa sobre a morte

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“A única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida” Charles Chaplin

Conversar abertamente sobre a morte não é algo comum, sentimos certo desconforto com o assunto, afinal para que falar de algo que é associada a tristeza, melancolia, fim. Quando alguém querido morre ficamos profundamente impactados, como alguém pode um dia estar entre nós e no outro não? Como lidar com o fim, a ausência? Melhor não lidar, melhor não falar sobre isso e evitar o sofrimento. Será?

Não falar sobre a morte só ajuda a não pensarmos sobre ela, mas não a evita e nem diminui o sofrimento quando alguém próximo morre. Evitar o assunto a todo custo é negar o inevitável, é tentar se distanciar da ideia da nossa própria finitude. Talvez por isso os consultórios dos cirurgiões plásticos estejam tão cheios de pessoas tentando esticar a pele e a juventude, a imagem da velhice nos lembra a proximidade da morte, mesmo que muitas pessoas morram jovens, de acidentes ou doenças.

Essa corrida contra o tempo além de ser em vão é angustiante, melhor seria incluirmos esse assunto nas nossas idéias e decisões. Integrar esse momento como uma parte importante da vida. A Psicologia sabe que quando falamos sobre algo difícil e enfrentamos os nossos fantasmas, com cuidado e atenção, lidamos mais adequadamente com a situação e podemos viver melhor, é a mesma coisa com a morte. Refletir positivamente sobre este caminho natural nos auxilia nessa direção e traz benefícios para o presente, nos ajuda a pensar melhor sobre que tipo de vida estamos levando.

O que ganhamos falando da morte?

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Sabemos que a morte é um processo natural e necessário a sobrevivência da espécie. Com a morte a vida se renova e prossegue. “Desta maneira a morte não seria a negação da vida e sim um artifício da natureza para tornar possível a manutenção da vida”. (Ballone, 2005).

Além disso, quando tomamos consciência da nossa finitude, de que um dia não estaremos mais aqui, e as pessoas que amamos também não, ficamos mais lúcidos sobre a importância do momento atual, de experienciarmos na totalidade o presente com tudo que ele nos traz. Principalmente nos dias de hoje em que vivemos com pressa e ansiedade, sempre pensando o instante seguinte e não percebendo as raras oportunidades do aqui e agora.

Quando vemos a perspectiva da morte, sabemos que precisamos rever muitas coisas da nossa vida. Ter aquela conversa importante, pedir perdão, perdoar, se permitir alguns prazeres, realizar sonhos, se aproximar de quem vale a pena. Redefinimos valores e temos a oportunidade de fazer frequentemente aquela pergunta: “Se eu morrer amanhã já fiz tudo o que eu podia hoje?”

A resposta dessa pergunta reorienta toda a nossa vida, faz com que possamos dar o valor certo as coisas que para nós é a certa e por isso ganhamos a oportunidade de uma vida digna e coerente com o que nos faz feliz. Além disso, podemos ficar um pouco mais em paz quando alguém querido parte, porque tudo foi vivido, falado, sentido e o que fica são as lembranças e o aprendizado que continuam vivos em quem fica.

Geralmente as pessoas que pensam na morte são as que perdem alguém muito próximo ou descobrem uma doença, o que impacta fortemente a realidade de quem passa por isso. Falar da morte sem medo deveria fazer parte naturalmente das reflexões cotidianas de todos nós, crianças, adultos e idosos, para termos consciência da raridade da vida e direcioná-la para uma existência que vale a pena ser vivida.

“Assim como um dia bem empregado nos proporciona um bom sono, uma vida bem vivida nos proporciona uma morte tranquila.” Anatole France

Referência
Ballone GJ. (2005) “Lidando com a Morte”.

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, depressão, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: http://www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com

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