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Estudar psicologia não é garantia de saúde mental

Saúde mental é um assunto sensível e é problemático se o terapeuta se comporta de forma estranha, parecendo precisar mais de ajuda que seus pacientes.

Sei que não são todos, mas são muitos os psicólogos que vejo se comportando de uma forma tão estranha que passam a impressão de que têm mais transtornos que as pessoas que eles se propõem a tratar.

Muitos, ainda recém-formados, saem falando de psicologia como a única verdade válida da vida, numa militância “pró-psicologia” que até mais parece ideologia alienada de partido político radical.

Causa-me muito estranhamento ver psicólogos em pé de guerra com religião, com autoajuda, com psiquiatras, com profissionais de coach e até com os próprios pacientes, que parecem incomodar com seus problemas.

Num grupo sobre psicologia no Facebook, por exemplo, uma mulher comentou que era muito religiosa e que gostaria que também este importante aspecto de sua vida fosse considerado em sua terapia, mas o terapeuta não o fazia. Pronto, isso bastou para que aparecessem vários psicólogos para atacar e dar sermão na moça, dizendo que psicologia é ciência e que, por isso, ela não deve se ocupar com crenças, sem perceberem que estavam negando a própria ciência, já que essa diz claramente que qualquer tratamento só pode funcionar bem se o paciente for visto como um todo e não se for considerada somente a parte que convém ao médico/terapeuta.

Já vi também psicólogos reclamando de textos de autoajuda, classificando-os como fracos e até perigosos, já que não foram escritos por profissionais da área de psicologia, como se a experiência do autor do texto perdesse qualquer serventia por falta de um diploma de psicólogo e como se os textos que psicólogos escrevem nunca fossem fracos e perigosos.

A arrogância é tão grande que tem até psicólogos desvalorizando completamente a profissão e a competência de psiquiatras, como se esses nada soubessem e se limitassem a prescrever medicamentos.

Questiono-me que tamanho devem ter a frustração e o complexo de inferioridade dessa gente, principalmente quando sua prepotência chega ao ponto de desvalorizar o que dizem seus próprios pacientes, como um sujeito que contou que seus pacientes falam um ‘monte de lixo’ e que sua função como terapeuta seria de filtrar o que dizem e que, no final, só sobram algumas gotas, que seriam a essência que ele (o grande terapeuta!?) havia extraído.

Ora, a própria palavra terapeuta, que vem do grego, significa em sua origem, além de alguém que cura/trata, também aquele que serve a outro alguém. É claro que servir não significa que o terapeuta tenha que se subordinar ao paciente, não, não é isso. Mas a palavra servir deveria ser um lembrete para qualquer terapeuta de que um mínimo de humildade é precondição para quem se propõe a trabalhar ajudando outras pessoas. Quem resolve ser terapeuta, mas não quer servir e não reconhece a importância da humildade e do respeito pelas pessoas que trata, deveria refletir se realmente escolheu a profissão certa.

Estudar psicologia não é garantia de saúde mental

Notei que até a forma deles escreverem é esquisita. Mesmo no Facebook, mesmo numa discussão boba com leigos mortais, eles procuram “escrever difícil”, cheio de termos técnicos, como se precisassem frisar o tempo todo: eu estudei, tenho diploma, sou psicólogo. Ao ler certos textos assim, volto a questionar o tamanho da insegurança, da frustração e do complexo de inferioridade dessas pessoas.

Tenho visto psicólogos por aí que se acham no direito e na obrigação de se intrometer em coisas que na verdade nem são de sua conta, ignorando o direito de alguém de viver sua vida da forma que bem quiser e entender. Temos então situações bem bizarras, nas quais o paciente não procura o psicólogo, mas o psicólogo é que sai em busca de pacientes, tentando “fabricar” alguns quando não encontra nenhum, como uma psicóloga que me escreveu uma vez querendo saber mais sobre mim, mas que nada gostou quando me neguei a responder suas perguntas, que considerei indiscretas e invasivas, e começou a me “perseguir”, enviando mensagens analíticas sobre minha pessoa e sobre os problemas que ela havia decidido que eu tinha.

Se um psicólogo se vê em um ou mais degraus acima de seus pacientes e não percebe que estamos TODOS sempre no mesmo patamar, esse psicólogo jamais será um bom terapeuta, penso eu.

Uma outra crítica (que vale para a psicoterapia em geral) é a mania que certos terapeutas têm de achar que precisam destruir a autoestima do paciente e questionar praticamente toda sua vida, ao invés de focar no que há de positivo e fortalecê-lo. O paciente, que busca ajuda por não estar bem, se vê então confrontado com uma desmontagem geral que, em minha opinião, é muitas vezes desnecessária e pouco produtiva, talvez até prejudicial.

Defendo a psicoterapia como algo bom, que pode ajudar muita gente a se conhecer melhor, entender seus problemas e desatar alguns nós. Sempre incentivo qualquer pessoa a fazer, mas peço que se escolha bem o terapeuta, pois ninguém vai receber boa ajuda de um psicólogo, por exemplo, se ele for um desses que precisaria mais urgentemente de uma terapia que seus próprios pacientes.

E se você for um desses que descrevi acima, fica a dica: desça do trono e reflita sobre sua postura, pois você só é um psicólogo, nem menos, nem mais. Só isso.

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Gustl Rosenkranzhttps://gustl-rosenkranz.de/
Blogueiro apaixonado por palavras, viciado em escrever, sem luvas, tocando no assunto, porque gosta e porque precisa.

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