sexta-feira, 5 junho 2020

“Não agrade os ingratos, nem sirva aos folgados”

Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, de servir gente folgada, de nutrir amizades duvidosas, para que possamos percorrer somente os encontros verdadeiros.
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Sentir-se menos importante também é um recurso de vida

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Por Felipe Bueno

Quantas vezes somos abarcados por pensamentos, que geram angústia e ansiedade, teimando em fazer com que sejamos sujeitos cada vez mais perfeitos para a sociedade? Desde cedo somos cobrados para sermos os melhores, servindo de exemplo aos demais. Mas, até que ponto isso é sano?

A cultura é algo que se herda, somos herdeiros da cultura de nossos pais, que foram herdeiros da cultura de nossos avós e assim por diante. As pessoas passam, mas certos hábitos são trabalhados pelo espírito do tempo e através das gerações. É muito comum notar que a criança, desde muito cedo, é levada a lidar com o desejo daqueles a criam, já que para ela essas pessoas são mais do que sua referência, pois fazem parte da formação dos seus ideais de vida.

Desde o aprendizado do controle dos esfíncteres até a escola, o cursinho, a faculdade e o trabalho, a cobrança dos outros sobre nós e a ressonância disso que se transforma em autocobrança são itens muito presentes na nossa história; quem nunca se pegou pensando obsessivamente sobre um evento que acabara de ocorrer, como por exemplo, uma conversa com outra pessoa, tentando reviver a cena de várias maneiras e com diversas falas e discursos?


Estar no comando da situação, sempre imaginariamente, é uma forma de manter o ego em concordância com esse hábito de sentimento que emerge desde quando precisamos manipular simbolicamente os desejos daqueles que nos criaram. Mas isso não é uma sentença da psiquê, pois é possível que nos situemos de maneira menos alienada e mais sana perante a vida. Notar o nosso tamanho no mundo e constatar o peso e a relevância da nossa participação na engrenagem da sociedade é muitas vezes uma saída, um recurso, que relaxa nossa mente e nos livra de pensamentos obsessivos.

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Devemos primeiramente nos dar tempo, tempo para refletir sobre as coisas que nos ocorrem, tempo para poder decidir com calma sobre os próximos passos, tempo para poder descansar a mente observando que somos uma pequena peça na concepção da vida na Terra; uma folha de alface passa por inúmeros caminhos e por várias mãos, desde o plantio até chegar na nossa mesa.

Possuímos o nosso valor, mas o mais importante deles encontra-se no “estar consigo” que podemos experimentar. Nascemos sozinhos, dormimos, comemos sozinhos e morreremos assim. Atribuir muito merecimento para nós parece ser mais uma via do caminho de angústia e de ansiedade sobre o qual falávamos há pouco. E quanto mais nos achamos merecedores das coisas, para poder provar que vencemos (?), mais o contato com o outro se torna pesado.

Se praticarmos a tentativa de observar nossa real importância para o mundo, talvez tenhamos, enfim, mais tempo para nos dedicarmos a sentir a vida que pulsa. Que tal?

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A autora/o autor:

Felipe Bueno
Felipe Buenohttps://medium.com/@felipejbueno
Semioticista — atuo na área de pesquisa em semiótica peirceana e psicanálise lacaniana.
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