Quando acaba a tempestade
Crônicas, contos e poesias

Quando acaba a tempestade

Por Débora De Souza Duarte

De repente a tempestade se dissipou. Tão rapidamente quanto sua chegada, foi sua partida. E eu saí de trás das nuvens. Era noite ainda, mas pude olhar de novo o ceú claro, limpo e, mesmo sem estrelas, iluminado.

Volto a ser quem eu prefiro ser. Mas reflito sobre quem eu sou na tempestade. Continuo sendo eu na tentativa louca de segurar as rédeas da situação, respirando fundo, contando até mil, me descabelando ou chorando em silêncio.

Passado o caos, abaixo a cabeça e fecho os olhos. Onde eu estava? Aqui. Sempre estive aqui. Era eu também, quando não soube lidar com a onda de sentimentos contraditórios que me invadiu.

Às vezes sucumbimos, perdemos as forças que nos faziam remar contra a maré e soltamos os ombros. Isso quando não soltamos os remos. Corremos para um colo acolhedor, seja físico ou espiritual. Deixamos a criança que existe dentro de nós calar o adulto petulante que finge ter o controle de tudo. É quando as coisas começam a se encaixar e a mudar. Assumimos nossas fraquezas. Paramos de tentar ser perfeitos: tola e inútil tentativa. Como meninos, somos mais fortes. É preciso força pra se assumir fraco.

A dor é parte da vida. Por que tentar ignorar? A ditadura da felicidade é cruel como qualquer regime totalitário. Ela nos priva da própria liberdade de escolher ser felizes.

Os momentos de tristeza são parte importante da nossa existência assim como as pausas que intercalam as notas são essenciais à canção. O desafio que faz a vida ser tão misteriosamente incrível é saber passar por todas essas nuances. Saber perder e saber ganhar, saber sorrir, mas também saber chorar. Saber aproveitar a calmaria, pois logo virá outra tempestade. Saber aproveitar a tempestade e tudo que ela tem para nos ensinar sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre a vida, com a certeza bem clara e firme de que uma hora ela acaba.

 

Sobre o autor/a autora

Débora De Souza Duarte
Débora De Souza DuarteProfessora e Consultora de imagem
Débora Duarte é professora de História e consultora de imagem, mãe da Isabela e esposa do Felipe. Fascinada pela vida em todos os sentidos, busca refletir sobre seus diversos aspectos, dos mais sutis e corriqueiros aos mais complexos e profundos.

Escreva um comentário

Clique aqui para postar um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Caminhos no Facebook




612