Miscelânea

Quero um Natal pequeno…

Tamanho não é documento e Natal grande é Natal inchado, cheio de coisas boas, mas também de coisas que distraem, estressam, irritam, custam caro, afastam, dividem e nos fazem perder de vista o sentido da festa.

Quero um Natal pequeno, pequeno no tamanho da festa, na quantidade de comida e presentes e menor ainda no tanto de correria que o antecede. Quero um Natal pequeno nas expectativas e nos planos, nos enfeites e pisca-piscas, pequeno na aparência, pequeno nas embalagens, enfim, pequeno em tudo que não conta realmente. Quero mesmo um Natal bem pequenininho, ali no canto mesmo, sem opulência e sem frescuras, pertinho daqueles que amo e entendendo que é exatamente esse estar juntos o maior presente que qualquer um de nós pode receber.

Sim, que meu Natal seja bem pequeno, minúsculo, que não tome muito espaço, que não chame atenção, que não faça barulho, que simplesmente esteja ali, singelo, inspirando, aproximando, partilhando, convidando para uma festa de verdadeira paz, de tranquilidade e descanso e de amor entre os homens.

Tamanho não é documento e Natal grande é Natal inchado, cheio de coisas boas, mas também de coisas que distraem, estressam, irritam, custam caro, afastam, dividem e nos fazem perder de vista o sentido da festa. Luz piscando é bonita, mas não traz felicidade, papel de presente colorido é bacana, mas não traz tranquilidade, presente caro dói no bolso de quem dá e faz transbordar o ego de quem recebe, mas não traz satisfação. Mas se junto tudo isso e troco por um abraço apertado, encontro felicidade, tranquilidade e muita satisfação. Aquilo que realmente precisamos para nos sentirmos profundamente bem não cabe embaixo de nenhuma árvore de Natal, por maior que ela seja e mesmo que decorada com bolas de ouro.

O Natal pequeno termina sendo grande, pois ele não quer ser nada, não cobra nada, não espera nada e só chama para entrar, dando espaço e deixando livre, muito mais livre que dentro de um Natal grande cheio de pacotes e panetones.

Não, não tenho nada contra panetone, até gosto muito e você pode comer quantas toneladas quiser. E decore a casa, prepare a ceia, dê e receba presentes e curta seu Natal da forma que desejar ou puder. Não há porque não o fazer. Permita-se tudo isso. Mas note que qualquer coisa perde o sentido quando fica grande demais, já que a superfície se afasta do centro de tudo que cresce. Quanto maior o tamanho, mas longe estamos da essência. De pouco adianta acender uma vela se sua luz fica tão distante que não dá para iluminar nem um pouquinho também dentro de você e de pouco adianta receber um presente que satisfaça algum desejo ou alguma necessidade terrena, mas que não lhe toque realmente e que não lhe leve a perceber que ele (o presente em si) de pouco importa diante do carinho e da intenção da pessoa que o deu.

O Natal pequeno é gratidão pelas coisas boas, pelo momento, pelas pessoas que queremos e nos querem bem, pela família, pelo parceiro ou parceira, pelos amigos, pelos colegas de estudo ou trabalho, pelos vizinhos e por todas aquelas pessoas que fazem parte de nosso dia-a-dia, caminhando conosco ou cruzando nosso caminho, mesmo que nem todas sejam simpáticas, mesmo aquelas que mal conhecemos, pois todas essas pessoas, todas elas é que fazem nossa vida ter sentido, umas mais, outras menos. E o Natal pequeno é entender que precisamos de muito pouco e que tudo que temos além desse pouco já é um presente, que não há motivo real para ser seletivo, exigente com qualquer coisa que se receba, já que tudo é lucro, já que nada mais é realmente necessário, lembrando-se daqueles que têm muito menos ou quase nada e se solidarizando de alguma maneira com eles.

Enfim, quero um Natal pequeno. Pequeno por fora, mas grande e rico por dentro. Sim, é o que desejo para mim. E para você? O que desejo? Desejo que passe seu Natal bem, tanto faz como, do jeito que você achar melhor, mas que seu Natal também seja pequeno na essência, que lhe traga paz e tranquilidade e que depois você possa sorrir e dizer que teve um Natal feliz 😉

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Sobre o autor/a autora

Gustl Rosenkranz
Gustl RosenkranzBlogueiro

Blogueiro. “Escrevo sem luvas porque tocar é importante”.

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