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As consequências desastrosas do hype do abacate

Está em moda comer abacate, que ganhou fama de "superalimento". O que está por trás dessa moda e quais as consequências desse consumo exagerado?

Está em moda comer abacate. O que está por trás disso e qual as consequências desse consumo?

Por atrás do modismo “o consumo regular de abacates é bom para a saúde” está sobretudo uma campanha repetitiva de marketing dos produtores de abacate, que, espertos como são, transformaram uma fruta que já comemos há mais de 10 mil anos em “superalimento”, claro que com o único objetivo de vender mais. Eles bombardearam as redes sociais com sua propaganda, o que fez muita gente acreditar que tem que comer abacate se quiser viver saudável.

E essa campanha tem sido apoiada (conscientemente ou não) por “hipsters” jovens da internet que logo aderiram à moda da fruta tão “fotogênica” para o Instagram ou Facebook sem qualquer questionamento.

As consequências desastrosas do hype do abacate
Geração Instagram: prato com abacate fotografado em restraurante especializado nessa fruta.

O resultado é isso aí que estamos vendo, com um monte de gente comendo abacate e com o consumo dessa fruta crescendo 30% por ano. A moda é tanta que já existem em muitos países restaurantes que só servem pratos com abacate e até o cartel de drogas do México tem mostrado interesse nesse negócio altamente rentável.

Mas qual são as consequências dessa modinha atual?

O consumo exagerado de abacate tem sérias consequências nutricionais, sociais e ambientais.

Do ponto de vista nutricional, o abacate é saudável, como frutas em geral, mas não tanto como se diz por aí. O abacate é extremamente gorduroso e toda gordura deve ser consumida com moderação, mesmo se tratando de gordura vegetal “boa”. Além disso, um abacate tem muitas calorias, quatro vezes mais que uma maçã, por exemplo. Isso contradiz a teoria de que abacate não engorda.

Abacates são prejudiciais para quem sofre de distúrbios cardiovasculares (coisa que muita gente tem e nem sabe!).

Do ponto de vista ambiental, o abacate é prejudicial principalmente por causa da distância entre os principais locais de produção (América do Sul/Central e África), e os consumidores na Europa, nos EUA, na China e no Japão, por exemplo. Na verdade, para muita gente o abacate é um luxo que vem de longe, que chega a percorrer 15 mil km até chegar à prateleira do supermercado.

As consequências desastrosas do hype do abacate
Produção de abacate no Chile

Como são frutas sensíveis com tendência a mofar rapidamente, os abacates são transportados em containers refrigerados, o que aumenta ainda mais os prejuízos ao meio ambiente.

Mas, sem sombra de dúvida, o fator mais agravante é o enorme consumo de água em monoculturas gigantescas. 1 kg de abacate gasta 2 mil litros de água (comparando: 1 kg de alface precisa de 130 litros!).

As plantações industrializadas sugam praticamente toda a água da região, o que causa problemas sérios para a população local, o que permite imaginar os problemas sociais e econômicos então enfrentados principalmente pelos agricultores mais pobres.

Essas plantações, por serem monoculturas, estão sujeitas a pragas, que são então combatidas com muitos agrotóxicos, que, além de contaminar o solo e o lençol freático, terminam parando no prato do consumidor (observe que os consumidores não costumam lavar o abacate antes de cortá-lo e consumi-lo!).

Como o abacate tem que ser transportado verde, ele é armazenado por mais ou menos uma semana, ao chegar no destino, para que amadureça. Para isso, é utilizado etileno, um produto químico que entra no abacate e que faz dele uma fruta nada saudável.

Outro problema é que quem quer plantar muito precisa de terra para isso, o que resulta muitas vezes em desmatamento e destruição do meio ambiente para aumentar a produção.

São muitos os fatos, que tentei resumir aqui, mas recomendo pesquisar e se informar bem antes de correr atrás de modas e apoiar campanhas de marketing de empresários/latifundiários espertos.

E agora? Você deve parar de comer abacate? Não, não precisa, mas não coma tanto (1/4 de um abacate é suficiente para uma pessoa adulta) e dê preferência (no Brasil) à fruta nacional (e não importada). Na Europa, você pode optar por comer abacates orgânicos, que foram produzidos sem/com menos prejuízos à natureza e à população local. Sim, é bem mais caro que o abacate comum, mas você não acha justo pagar um preço mais alto por um “luxo que vem de longe”?

E se sua preocupação for realmente com sua saúde (e não correr atrás de modismo absurdo!), tenho uma boa notícia: coma beterraba. Os efeitos são os mesmos, mas sem tantos prejuízos.

Para quem fala alemão, recomendo assistir esta reportagem do canal ARD:

E mais um link (em inglês):

https://www.dailymail.co.uk/health/article-5951589/Are-eating-avocado-Probably.html

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Gustl Rosenkranzhttps://gustl-rosenkranz.de/
Blogueiro apaixonado por palavras, viciado em escrever, sem luvas, tocando no assunto, porque gosta e porque precisa.

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