Início Sociedade Destruição do meio ambiente: culpa dos mais velhos? Será?

Destruição do meio ambiente: culpa dos mais velhos? Será?

Dona Joana, uma senhora idosa, estava no caixa do supermercado e pediu à funcionária uma sacola de plástico. A funcionária, uma moça ainda bem jovem, torceu os beiços e disse à idosa que da próxima vez trouxesse uma sacola de casa, pois sacolas plásticas seriam ruins para a natureza e só serviriam para acelerar a destruição do meio ambiente.

Sim, a senhora tem razão“, respondeu Dona Joana. “Normalmente, trago uma sacola de casa, mas, hoje, tive que sair com pressa e terminei esquecendo”, completou.

A jovem no caixa respondeu em tom pouco amistoso:
Essa é uma desculpa típica. A senhora tem que se esforçar mais e entender que o problema é que sua geração nunca se preocupou com o meio ambiente, estragando tudo e passando o pepino para os mais jovens. Sua geração não cuidou de proteger a natureza como agora fazemos“.

Dona Joana olhou para a jovem e disse em tom sério, porém gentil:
Novamente a senhora tem razão. Nossa geração não conhecia proteção ambiental e não se preocupava com a natureza. Mas sabe por que? Porque não era necessário.

Comprávamos nossas bebidas em garrafas retornáveis, que devolvíamos quando vazias. Elas eram então enviadas para a fábrica, que as lavava e esterilizava para usá-las novamente, várias vezes. Sim, antigamente ninguém via esse mundo de garrafas (plásticas) jogadas por aí. Ah, e o leite a gente buscava diretamente na leiteria com nossa própria vasilha.

Levávamos sacolas para as compras, pois sacolinhas de plástico nem existiam. Verduras e frutas eram (quando eram!) embaladas em papel de embrulho e às vezes se aproveitava até jornais velhos para isso. Ah, e, em casa, o papel de embrulho era reutilizado, por exemplo, como capa para os livros de escola dos filhos.

Subíamos escadas, pois não havia elevadores e escadas rolantes em todo canto. Quando tínhamos que resolver alguma coisa perto, íamos a pé e não precisávamos de um SUV de 300 cavalos para isso.

Olha, também não tinha fraldas descartáveis, dessas que demoram meia vida para se decomporem. Usávamos fraldas de pano, que lavávamos com a mão e não com máquina de lavar. E a secávamos no sol e no vento, já que não existiam secadoras elétricas.

Quando uma criança crescia, as roupas dela passavam para uma irmã ou irmão mais novo, pois roupa era cara e ninguém corria para a PRIMARK para comprar tudo tão baratinho a custo de trabalho escravo e poluição.

Em casa, tínhamos somente um rádio. Mais tarde, tínhamos uma pequena televisão e não um aparelho monstruoso que ocupa metade da sala.

Na cozinha, cortávamos, descascávamos e triturávamos tudo à mão, pois não tinha utensílios elétricos para isso.

Nossos móveis eram estofados com material orgânico e não com fibras de plástico como hoje. Quando enviávamos um pacote pelo correio e precisávamos proteger o conteúdo, usávamos jornais velhos e não isopor e plástico de bolinha.

A grama a gente cortava de mão e não com cortadores elétricos. Nossa academia era trabalhar no jardim, já que tudo era feito com a força dos braços. Ninguém precisava de esteiras elétricas, bicicletas sem rodas e outras bobagens modernas para quem quer fazer exercícios físicos (como se dar uma boa caminhada não fosse suficiente).

Até as canetas eram usadas várias vezes, recarregando a tinta e não jogando fora para depois comprar uma nova.

Quando o barbeador ficava cego, trocávamos a lâmina ao invés do barbeador completo.

Nossas crianças iam para escola a pé, de bicicleta ou de ônibus e não com papai ou mamãe como chofer.

E, quando chegava o fim da tarde, sentávamo-nos na praça para conversar pessoalmente (!), sem smartphones, sem internet ligada o tempo todo e a única energia que gastávamos era a luz do sol enquanto ainda era dia e a luz do poste quando escurecia.

Por isso, minha filha, mas também por inúmeras outras coisas, não nos preocupávamos realmente com a proteção ambiental. Repito, não era necessário.

O que acho triste é me ver confrontado com sua acusação de que nós, idosos, somos responsáveis pela depredação da natureza, enquanto hoje se gasta mais, se polui mais, se estraga mais e, principalmente, se desperdiça mais do que nunca.

Nós, idosos, temos, temos nossa parte de responsabilidade, sem dúvida, pois certamente não fizemos tudo certo, mas daí supor que „deixamos o pepino para os mais jovens” é injusto e imaturo, pois esse pepino não fomos nós que plantamos.

E sabe o que o mais estranho? É receber sermão de uma moça que é incapaz de dar o troco certo, mesmo com o caixa mostrando o valor (antigamente, essa conta era feita de cabeça). Sim, faltam dois reais, mas fique com eles, compre um bombom e reflita sobre as coisas que fala.

Tenha uma boa tarde”, disse Dona Joana, indo embora em seguida tranquilamente. E a moça do caixa? Não sei. Deve estar agora na internet xingando a „vovó” que lhe deu tamanha lição.

Destruição do meio ambiente: culpa dos idosos? Será?
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Gustl Rosenkranzhttps://gustl-rosenkranz.de/
Blogueiro apaixonado por palavras, viciado em escrever, sem luvas, tocando no assunto, porque gosta e porque precisa.

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