sexta-feira, 5 junho 2020

“Não agrade os ingratos, nem sirva aos folgados”

Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, de servir gente folgada, de nutrir amizades duvidosas, para que possamos percorrer somente os encontros verdadeiros.
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Ser gay é falta de gás carbônico

Em um texto irônico, Gustl Rosenkranz, buscando dar sua contribuição na discussão sobre a cura gay, apresenta sua teoria de que a pessoa se torna gay por respirar pouco gás carbônico. Vale a pena a leitura, mais ainda a reflexão.

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(Atenção: este texto contém ironia!)

Pois é, foi acompanhando toda essa discussão sobre a cura gay que terminei criando mais uma teoria. Tenho agora minha própria, que tem comprovação na prática, como vou contar mais adiante. Minha teoria é a de que a pessoa vira gay por falta de gás carbônico! Pode crer, é assim. Mas, peraí, já vou explicar.

Começo contando a história de Umberto, um urubu jovem que descobriu que era gay, ou melhor, trans, e que fazia questão de ser chamado de Safira. Pois bem, ele sempre foi diferente dos outros urubus e já cedo tentou seguir seu próprio caminho. Tinha fama de ser cheio de frescuras e caprichos e de metido a besta, pois só gostava de comer em lugar limpo e chique e ia catar lixo de loja de delicatessen. Então, como andava em lugares limpos, ele respirava menos gás carbônico que os outros urubus, que iam buscar sua comida no meio da fumaceira de lixo queimando dos aterros sanitários. Resumindo: respirou pouco gás carbônico e virou trans. Tá vendo? Mas veja só o resto da história.

O problema é que o pai dele não quis saber desse negócio de Umberto se chamando de Safira e exigiu que o filho fosse catar carniça no lixão de Canabrava com os urubus machos para que ele aprendesse a ser urubu homem de verdade.

Ser gay é falta de gás carbônico
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Umberto (Safira) não teve escolha e foi com os outros buscar comida naquele lugar imundo e, realmente, todo enfumaçado. Ao chegarem lá, viram que se aproximava um caminhão velho cheio de lixo e os urubus machos voaram para cima. Antes mesmo do veículo parar, já estavam lá tentando arrancar alguma coisa comestível do meio da carga.

Só Umberto (Safira) é que ficou lá em cima, com muito nojo e sem nenhuma vontade de participar daquela ceia. Ficou voando em círculo, em alguns minutos de dúvida cruel e aflição, com vontade de ir embora dali.

Sabia, porém, da ira certa do pai, se ele desistisse naquele momento, e, mesmo preocupado com o permanente que tinha feito nas penas e com não sujar os sapatos novos, resolveu pular de cabeça, com os olhos fechados, naquele monte de lixo que o caminhão acabara de despejar.

Mas errou o caminho, foi direto para cima do caminhão, que já ia embora, e deu de bico com o tubo de escape, ficando ali entalado por alguns minutos, respirando gás carbônico altamente concentrado, só conseguindo se libertar por causa de um buraco na estrada, quando o caminhão estremeceu e ele foi catapultado para trás.

Caiu no chão do aterro, no meio de um monte de fraldas usadas, mas levantou-se rapidamente, diferente, mais durão, falando alto, coçou os testículos, cuspiu no chão, deu um arroto e foi procurar o que comer. Pronto, ele tinha virado um urubu hetero! Foi o gás carbônico, disso estou convicto!

Se você continua duvidando de que ser gay é falta de gás carbônico, vamos então falar de umas outras coisas. Vamos ver, por exemplo, o que o “macho de verdade” gosta: ela gosta de carro, de carro não, de carrão, que sopre muito gás carbônico para assegurar sua dose diária e ele assim poder preservar sua heterossexualidade. Esporte de homem macho não é Fórmula 1? Tem gás carbônico, né? Muito até.

Ser gay é falta de gás carbônico

E aquela propaganda que mostrava um cabra macho, homem com H, cowboy americano com chapelão e cavalo, era propaganda de que mesmo? Exato, Marlboro, cigarro, fumaça, gás carbônico!

Até no futebol, o que é que os machões na torcida fazem? Isso, fogos, fumaça, gás carbônico! E quem torce em casa, torce na cerveja e no churrasco na brasa (!). Pode crer, basta reparar: onde tem homem cabra retado macho de verdade, tem sempre gás carbônico.

Tem também a história daquele homem atrapalhado, pai de família tradicional brasileira, lá do Beco da Cebola, que disse por aí que prefere um filho morto que um filho gay, mas depois voltou para casa, olhou para os filhos, ficou inseguro e tocou fogo no matagal que tinha no fundo de onde morava. Para que? Exatamente, para aumentar o gás carbônico! Tá vendo de novo? Esse parece entender bem do assunto! Sua esperança é a de que assim seus filhos continuem machões iguais a ele (que secretamente dorme inalando gás carbônico a noite toda, já que seguro morreu de velho, não é mesmo?). Mas é difícil, a demanda dos filhos é grande, a heterossexualidade deles é frágil e é preciso uma quantidade cada vez maior do gás. É por isso que o pai endoidou de vez e anda incendiando tudo quanto é matagal que vê pela frente.

Bom, era isso. Essa é minha teoria: ser gay é falta de gás carbônico. Então, se você está se sentindo inseguro, se sente que sua heterossexualidade está balançando e se isso lhe incomoda, você não deveria tentar compensar isso agredindo quem prefere respirar oxigênio e falando bobagens preconceituosas sobre homossexuais. Isso não vai resolver seu problema. Não perca seu tempo, faça algo que realmente lhe ajude. Sugiro que procure uma fábrica (quanto mais fumaça, melhor!). Vá até lá, enfie o nariz na chaminé e encha os pulmões de gás carbônico que sua heterossexualidade genuína volta rapidinho. Só não exagere, pois gás carbônico mata, viu?

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Gustl Rosenkranzhttps://gustl-rosenkranz.de/
Blogueiro apaixonado por palavras, viciado em escrever, sem luvas, tocando no assunto, porque gosta e porque precisa.
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